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Fracasso escolar chega a custar R$ 49 bilhões ao ano, aponta novo estudo
Fracasso escolar chega a custar R$ 49 bilhões ao ano, aponta novo estudo

28 de novembro de 2016

No Brasil, 25% dos jovens de 15 a 17 anos não irão se matricular na escola ou, quando o fizerem, irão abandoná-la ou serão reprovados. A chance de fracasso escolar aumenta para 55% se o jovem for negro e de uma família socialmente vulnerável – um risco pouco mais de 5 vezes maior se comparado ao que sofre um jovem de classe alta. Os custos desse fracasso chegam a R$ 49 bilhões ao ano para o país. É o que revelam os dados preliminares de um novo estudo que está sendo coordenado por Ricardo Paes de Barro, professor do Insper e economista-chefe do Instituto Ayrton Senna, e que mostram a urgência de se pensar em políticas públicas para ajudar a combater a evasão e o abandono escolar.

O estudo, apresentado em evento nesta segunda-feira (28), está sendo desenvolvido em parceria entre a Fundação Brava, o Instituto Ayrton Senna, o Instituto Unibanco e o Insper e tem como objetivo principal compreender como se dá o engajamento dos jovens em relação à escola, como a falta desse engajamento pode afetar a educação e a sociedade, e quais práticas podem aumentar a participação dos jovens na escola de modo que eles completem o ciclo de educação básica. Além disso, a pesquisa também irá mostrar metas para o avanço dos índices educacionais e indicar quais políticas e práticas poderiam ser implementadas para reduzir o abandono escolar.

Para isso, o estudo já mapeou 124 programas educacionais voltados para ampliar o engajamento dos jovens e combater o fracasso escolar. “O grande desafio não é criar mais programas, mais formação e mais conhecimento, mas sim organizar o que já existe. Se não chegarem de maneira organizada na escola, esses programas podem atrapalhar mais do que ajudar. Grande parte do nosso trabalho é analisar as iniciativas disponíveis de uma maneira bem organizada e fácil de ser utilizada”, afirmou Paes de Barros.

A pesquisa também delineia três grupos de fatores determinantes para esse fracasso. O primeiro grupo engloba os fatores que impedem o aluno de dar continuidade aos estudos, como gravidez, doença, trabalho, envolvimento em atividades ilegais, violência, extrema pobreza e acesso limitado à escola. Nesse sentido, dados apresentados por Paes de Barros mostram que a pobreza tem mais influência negativa na vida escolar do que a gravidez precoce, por exemplo.

O segundo grupo de fatores mapeados no estudo abrange aqueles que decorrem da falta de interesse do aluno em relação à escola, fazendo com que ele abandone a instituição por descontentamento com o ensino oferecido. “Para reverter esse quadro, é necessário colocar em prática políticas que ajudem a dar um significado na escolarização. No Brasil isso é particularmente preocupante porque a escolaridade não se traduz em maior renda e produtividade como acontece em outros países em desenvolvimento, como China e Malásia, por exemplo”, sinalizou o economista no evento.

Já o terceiro grupo de fatores que levam ao abandono escolar também agrega aqueles ligados a uma falta de interesse em relação à escola, porém, um desinteresse causado por desinformação. Para Paes de Barros, a solução desse problema passa por programas que ajudem a aumentar a percepção do jovem para a importância da escola. “É importante frisar que não é um programa que vai resolver. É preciso de um conjunto articulado de programas e políticas”, afirmou ao destacar a importância do estudo.

Para Antônio Neto, diretor institucional do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e um dos convidados do evento, criar soluções para atacar esses três fatores depende de mudanças profundas na educação pública. “Tem que mudar desde a gestão até a concepção curricular, a formação do professor e a concepção básica da escola”, defendeu. “O grande desafio é levar a visão de que não só a evidência é importante, mas o que fazer com ela. Precisamos trazer a pesquisa e a evidência para a política pública, mas também cobrar ações que sejam realmente planejadas para a mudança”, concluiu.

A apresentação do estudo contou ainda com a participação de Haroldo Corrêa Rocha, secretário de Educação do Espírito Santo, Pedro Strozenberg, pesquisador do Instituto de Estudos da Religião (Iser), Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, e Anna Penido, diretora do Inspirare.

Durante o debate sobre os resultados preliminares do estudo, Anna Penido destacou a importância de entender como se dá a participação dos jovens na escola. “O aluno perdeu o significado para a educação e para a escola. A gente não entende mais esse jovem, seus interesses, sua realidade, por que agem ou como agem. Entender como a nova geração lida como conhecimento e a diversidade é essencial, mas não estamos apropriados disso ainda”, afirma. Para ela, pesquisas como a desenvolvida por Paes de Barros podem apontar novas direções nesse sentido. “Precisamos de informação suficiente para fazer a mudança acontecer. Se os dados exigem celeridade, não podemos ir com passos de formiga”, completou.

O evento foi gravado e divulgado pela internet. Para assistir à gravação, clique aqui.

 

 

 

Tags: Educação,

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