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Educadores mostram como incorporar competências socioemocionais na escola

24 de maio de 2017

Vídeo: Equipe Instituto Ayrton Senna.

Cerca de 400 educadores do Ceará acompanharam as experiências compartilhadas sobre como levar o desenvolvimento de competências socioemocionais para a sala de aula. As novidades em práticas e pesquisas sobre o tema foram apresentadas por pesquisadores, implementadores e decisores de políticas públicas no Seminário Internacional “Competências para a Vida: Onde Estamos e Aonde Queremos Chegar?”.

O evento aconteceu em Fortaleza, nos dias 23 e 24 de maio, e foi resultado de uma parceria entre a Secretaria da Educação do Ceará, Instituto Ayrton Senna, Instituto Aliança e Banco Interamericano de Desenvolvimento. O objetivo do encontro foi reunir diversos atores interessados em apoiar transformações na educação para oferecer mais oportunidades de formação integral a crianças e jovens. Oito secretários estaduais de Educação de diferentes regiões do País estiveram presentes ou representados no evento.

Clique aqui para conferir as apresentações dos palestrantes e outros materiais de referência.

As chamadas competências para a vida, que incluem as socioemocionais, se referem a habilidades como colaboração e pensamento crítico, entre diversas outras que usamos para lidar com nossas próprias emoções, no relacionamento com os outros e na busca por atingir objetivos. Alguns estudos já revelaram seu impacto não apenas na aprendizagem, mas também em realizações futuras e bem-estar dos estudantes. Outras análises mostram que é possível promover o desenvolvimento dessas competências ao longo de toda a vida, sendo a escola um espaço importante onde isso pode feito.

O diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, participou da abertura do seminário e valorizou o papel de eventos de disseminação como esse para o compartilhamento de experiências e informações. “O direito do aluno a uma educação de qualidade só será alcançado se o professor tiver direito ao conhecimento. Hoje, nós procuramos pensar em qual é o conhecimento que queremos disponibilizar para o professor que está na escola e qual a visão de educação que desejamos construir juntos?”, afirmou. “Não se faz educação por pedaços, e sim por articulação entre todos os envolvidos, por isso fico muito feliz de estarmos aqui em conjunto pensando em como preparar a formação plena desses estudantes; só quando colocamos a educação como locomotiva da mudança é que temos mais perspectiva de construir algo melhor.”

O Secretário de Educação do Estado do Ceará e presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), Idilvan Alencar também lembrou aos professores e gestores presentes que a formação de educadores é fundamental para levar o desenvolvimento de competências socioemocionais para a sala de aula. “O socioemocional não é mais um tema para ser tratado nas aulas, e também não é um slogan, é um fundamento para a educação oferecida nas escolas; como fundamento, precisa estar trabalhado nos materiais e nas formações de professores”, defendeu. “Daí a importância de realizarmos eventos como este, que trazem informações, tanto das ciências quanto das práticas em sala de aula, para compartilharmos as visões e refletirmos sobre quais as melhores condições para efetivar essa educação.”

Durante o evento, foi anunciada a intenção de realizar uma parceria entre a Secretaria do Ceará e o eduLab21, laboratório de ciência para educação do Instituto Ayrton Senna. Segundo a diretora do eduLab21, Tatiana Filgueiras, os detalhes da parceria ainda estão sendo desenhados, mas a intenção é analisar o conjunto das políticas públicas de educação socioemocional no Estado, as formas como o tema está aterrissando em sala de aula, os caminhos para fortalecer os professores e criar maneiras de disseminar conhecimentos sobre o tema.

Para João Marcelo Borges, especialista em educação do BID, ainda que existam diferenças de interpretações sobre os conceitos envolvidos nesse debate, o mais relevante é mobilizar a atenção dos atores envolvidos com a educação para a emergência do tema e trazer o desenvolvimento socioemocional à pauta de ações no Brasil, tendo os professores no centro do debate.

Em sua apresentação, João Marcelo mostrou dados sobre o impacto do desenvolvimento de competências para a vida em um projeto implementado pelo Ceará nas escolas com o programa NTTPS (Núcleo de Trabalho, Pesquisa e Práticas Sociais). Segundo ele, os estudos mostraram que, com apoio de materiais e formação de professores, estratégias pedagógicas que estimulam a vivência dessas competências viabilizaram o desenvolvimento de amabilidade, engajamento com o outro e resiliência emocional entre estudantes do Ensino Médio. O projeto é desenvolvido pela Secretaria de Educação em parceria com o Instituto Aliança e apoio do BID.

A coordenadora nacional do Instituto Aliança, Maria Adenil Vieira, destacou a importância da realização de ações intersetoriais para a melhoria da educação. “Este seminário foi um marco, percebemos que instituições com diferentes atuações estão contribuindo para o avanço do tema das socioemocionais, e que este tema já faz parte da agenda nacional”, afirmou.

Nas escolas

Para oferecer também a visão de educadores que estão nas escolas realizando essas transformações, uma das mesas do evento contou com cinco gestores engajados com essa perspectiva de educação. Roberta Pontes representou o programa NTTPS,  Johnnildo Azevedo explicou o programa Professor Diretor de Turma, também desenvolvido no Ceará, Neuza Viana relatou a experiência de reunir um programa de educação emocional chamado Amigos do Zippy a uma iniciativa de correção de fluxo realizada em parceria entre o Instituto Ayrton Senna e a Secretaria de Educação de Manaus, Sara Moura contou sobre o projeto de Desenvolvimento e Avaliação de Criatividade e Pensamento Crítico realizado em parceria entre o Instituto Ayrton Senna e escolas de Chapecó (incluindo unidades da secretaria municipal, da secretaria estadual de Santa Catarina e da Fiesc), e o diretor Willmann Costa relatou a proposta de educação integral para o Ensino Médio desenvolvido em parceria pelo Instituto Ayrton Senna e a Secretaria de Educação do Rio de Janeiro.

“No começo, precisamos nos preparar muito e perceber a importância de fazer este trabalho; mas logo fica claro que gera mudanças importantes na relação que os alunos passam a ter com a própria escola e com seu projeto de vida, então você percebe o valor de ter esse olhar para a educação”, defendeu Willmann.

O seminário contou também com apresentações de dois especialistas e educadores da Colômbia, que analisaram práticas pedagógicas e características do contexto em que essas estratégias podem funcionar melhor (como a estrutura para o trabalho do professor e as condições da comunidade em que a escola está inserida). Oscar Sanchez, ex-secretário de educação de Bogotá e coordenador do Educapaz, contou quais estratégias foram utilizadas para gerar transformações genuínas em escolas após a construção de currículos para a formação integral e empoderamento dos estudantes para a construção de sua identidade. Para ele, ainda há desafios para levar políticas públicas até as práticas escolares e é importante seguir construindo conhecimentos sobre o tema.

Os pesquisadores do eduLab21 Oliver John, Filip DeFruyt, Ricardo Primi, Daniel Santos e Ricardo Paes de Barros também trouxeram contribuições das pesquisas que realizam na busca por definir o que são as competências socioemocionais, qual seu papel na vida escolar e nas realizações futuras dos estudantes, e quais as possibilidades de promover o desenvolvimento dessas competências na escola.

“Não estamos falando de mudar uma personalidade para se adequar a um padrão, mas de oferecer oportunidades para os estudantes refletirem sobre sua identidade e sobre as escolhas que querem fazer”, analisou Oliver durante sua apresentação.“É um desafio grande traduzir esses conceitos para implementar nos currículos das escolas, por isso as pesquisas e as evidências podem auxiliar as redes e escolas a identificar se estão de fato oferecendo a educação que desejam oferecer”, destacou Filip.

 

Tags: Educação,

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