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Estudantes aprendem neurociências em projeto sobre adolescência

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18 de julho de 2017

Desafiado a realizar um projeto de pesquisa, um grupo de estudantes do 1º ano do Ensino Médio na escola Prof. Heleodoro Borges, em Jaraguá do Sul (SC), foi muito além de uma simples divisão de tarefas: em conjunto, realizaram uma série de iniciativas que incluiu visita a uma faculdade e palestra com uma psicóloga, além de leitura de materiais de neurociências para entender como funciona o cérebro adolescente. O resultado foi apresentado para toda a comunidade escolar e inspirou até um encontro do movimento de indústrias pela educação no Estado.

O tema da pesquisa foi “Eu, adolescente: quem sou, afinal?”, e faz parte do componente Projeto de Pesquisa, que é uma das inovações implementadas nas escolas com a proposta de educação integral para o Ensino Médio que o Instituto Ayrton Senna e a Secretaria de Educação de Santa Catarina desenvolvem em parceria no Estado (saiba mais aqui: http://www.institutoayrtonsenna.org.br/ensino-medio-santa-catarina/). Com essa proposta, os alunos possuem um tempo no currículo para aprender a fazer pesquisa científica, com objetivo de oferecer uma oportunidade de aproximação entre os jovens e os procedimentos para a construção do conhecimento de forma ativa.

Para isso, no início do semestre são apresentados alguns temas sugerido pelos professores orientadores. Os estudantes formam times e escolhem o que querem pesquisar a partir de seus interesses e de suas competência de problematização, pensamento crítico, entre outras. Na área de Ciências da Natureza, a proposta era a de investigar o que diz a ciência sobre a etapa da vida em que os jovens estão, na adolescência.

“Os alunos surpreenderam nossa equipe na forma como se organizaram para o trabalho e no tanto que se envolveram. Eu conversei com eles sobre a visão que tinham de uma pesquisa e eles mostraram que é muito mais do que buscar uma informação na internet, copiar e colar, foram além” ressaltou a coordenadora do programa na escola, Giovana Bassi. “A apresentação deles chegou a emocionar a equipe, eles se apropriaram do conteúdo, embarcaram na ideia de fazer pesquisa e estão fascinados com as possibilidades de criar algo que faça sentido para eles.”

Para realizar essa proposta, o grupo leu textos e livros variados, pesquisou formas de se construir um artigo científico, organizou uma conversa com a psicóloga Karin Stahlke, visitou uma redação de jornal e a Faculdade Anhanguera de Jaraguá do Sul para usar a biblioteca e conhecer mais pesquisas de neurociências.

No pôster produzido pelos estudantes para sintetizar o que aprenderam no projeto, eles contam que o trabalho buscava identificar “os fenômenos biológicos e emocionais que atuam na mente do adolescente em relação às mudanças repentinas”, além de “mostrar aos educadores a complexidade que é o cérebro adolescente”.

“Isso mostra que os estudantes não querem mais ficar apenas recebendo conteúdo dos professores, querem ser protagonistas e também explicar algo para o adulto, levar um conhecimento que pode ser novo para o professor. Eu mesma, com 15 anos de magistério, não sabia algumas coisas que eles contaram, foi uma aula para nós da equipe”, comenta Giovana.

As duas principais linhas do estudo trataram do sistema de recompensa nos adolescentes (como o que gera o tédio e predisposição a riscos) e do reconhecimento da sexualidade (conhecendo quais áreas do cérebro são responsáveis por emoções e impulsos). O principal debate ocorreu em torno da questão: o comportamento adolescente é fruto das mudanças no cérebro, ou de fatores históricos, sociais e culturais? Entre as conclusões, os jovens registram que tanto as questões biológicas quanto sociais interferem nessa fase, e que, ao perceber a complexidade do tema, eles sugerem estender o conhecimento no âmbito escolar.

 

APRESENTAÇÃO

“Com essa pesquisa, os estudantes certamente aprenderam a lidar melhor consigo, a se conhecerem melhor. Também desenvolveram muita colaboração no trabalho em time, pois todos participaram muito desde o início até a apresentação”, destacou a coordenadora. Segundo ela, em julho ocorreu a I Mostra dos trabalhos de todas as turmas dessa proposta de educação integral, com apresentação dos projetos para a equipe da escola, outros estudantes, os pais e a comunidade em geral.

Após notar a qualidade do trabalho apresentado pelo grupo sobre o cérebro adolescente, o coordenador do programa na regional de ensino, Reginaldo Lima, e o diretor da escola, Leopoldo Diehl Filho, estenderam aos onze estudantes o convite que haviam recebido para falar sobre o projeto durante um encontro da Câmara Regional de Educação da Associação de Empresários de Jaraguá do Sul, vinculada ao movimento A Indústria pela Educação, da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina). Segundo Reginaldo, que integra a Câmara, as reuniões ocorrem bimestralmente entre representantes da indústria, de universidades, do Sistema S e do poder público para debater soluções à busca por mais qualidade na educação.

“Eu e o diretor iríamos fazer a apresentação institucional sobre a escola e a parceria com o Instituto, mas notamos os jovens tão apropriados e seguros para mostrar seus resultados, que veio a vontade de fazer algo mais. O diretor fez o desafio para o grupo, perguntando se aceitariam se apresentar fora da escola, eles aceitaram na hora, vibrando muito”, contou Reginaldo.

Os alunos que quiseram participar foram acompanhados pelos dois professores que orientaram o trabalho do grupo, o diretor e a coordenadora do programa na escola, falaram sobre o projeto de pesquisa e também responderam perguntas dos empresários e gestores sobre a educação integral. “Eles se apresentaram com muita empolgação, e ainda foram ‘sabatinados’ com perguntas sobre a escola, não foram preparados para isso, responderam com muita espontaneidade e, ao final, recebemos diversos relatos positivos de pessoas que se sentiram inspiradas pela fala dos alunos, todos ficaram muito impressionados, não imaginavam ver jovens tão envolvidos com um projeto assim”, relata Reginaldo. “O relato dos professores também foi inspirador, contaram como estão sendo valorizados em seu trabalho e tudo o que está mudando; percebemos a superação de todos, foi maravilhoso!”, comemora.

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