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Evento marca lançamento de relatório sobre educação de qualidade
Evento marca lançamento de relatório sobre educação de qualidade

Crédito: Juan Guerra/Instituto Ayrton Senna.

29 de novembro de 2016

Seis áreas prioritárias para transformar a qualidade da educação na América Latina são analisadas no relatório “Construindo uma Educação de Qualidade: um pacto com o futuro da América Latina”, lançado nesta terça-feira (29) pelo Instituto Ayrton Senna e o Diálogo Interamericano, em evento com apoio da Fundação Santillana e Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. A partir de ampla compilação de indicadores que mostram os desafios ainda presentes para melhorar o ensino nos países da região, o relatório aponta também iniciativas positivas que podem inspirar soluções para os seis eixos e propõe uma agenda transformadora, que incentiva os países a construir pactos conjuntos com toda a sociedade.

A publicação é fruto do trabalho da Comissão para a Educação de Qualidade para Todos, convocada pelo Diálogo Interamericano, que contou com contribuições de 12 prestigiosos membros de diferentes países da América Latina, sob liderança dos ex-presidentes Ernesto Zedillo, do México, e Ricardo Lagos, do Chile. A versão inicial do relatório foi lançada em espanhol, no segundo semestre de 2016, e o Instituto Ayrton Senna traduziu o material para o português e editou a publicação no Brasil.

Com o objetivo maior de proporcionar aos estudantes uma educação conectada com as demandas do século 21, que efetivamente garanta oportunidades de aprendizagem com impacto positivo na vida de crianças e jovens, o relatório se divide em três partes: primeiro, um panorama do estado atual da educação na América Latina, de acordo com os principais indicadores disponíveis. Segundo, analisa políticas públicas e medidas já realizadas sobre as seis áreas prioritárias (desenvolvimento na primeira infância; excelência docente; avaliação de aprendizagem; novas tecnologias; educação relevante financiamento eficiente) e, por fim, propõe as medidas importantes para o pacto social necessário entre todas as pessoas interessadas em melhorar a educação nesses países.

“Esse é um trabalho importante para países como o Brasil, pois temos grandes déficits de aprendizagem e a falta de equidade penaliza ainda mais os mais pobres; ao mesmo tempo, ainda precisamos olhar mais seriamente para o que o século 21 exige, ou seja, é um grande desafio”, afirmou Viviane Senna, que integra a Comissão para a Educação de Qualidade para Todos, durante a abertura do evento de lançamento do relatório. “O relatório foi um trabalho feito a muitas mãos, e mostra que podemos avançar se tivermos ações coordenadas. Temos que somar esforços, pois todos podemos nos envolver nesta tarefa de garantir oportunidades reais para o desenvolvimento pleno dos estudantes.”

O diretor-executivo da comissão, Ariel Fiszbein, também participou do evento e reforçou a importância do tema. “Temos o convencimento de que melhorar a educação é um dos caminhos mais estratégicos para o futuro da América Latina, e isso não cabe apenas aos experts em educação, é algo que só vai ser conquistado por meio de um compromisso geral”, defendeu.

“A América Latina enfrenta uma variedade de desafios educacionais críticos”, retomou Ariel. Segundo ele, os dados mostram desempenhos nacionais muito piores do que países, mesmo daqueles com renda menor do que os da região, e uma porcentagem muito alta de alunos com nível de aprendizagem abaixo do mínimo esperado. Apesar deste contexto, há iniciativas positivas. O Brasil, por exemplo, é destacado pelo relatório como exemplar em ao menos dois eixos: avaliação de aprendizagens e estabelecimento de metas para o avanço na qualidade da educação por meio de um pacto social, como o PNE (Plano Nacional de Educação). “As metas e avaliações são centrais para alinhar as expectativas de aprendizagem, e é importante garantir às comunidades educativas capacidade para utilizar os dados gerados em favor da educação”, defendeu.

Segundo ele, para garantir sustentabilidade das iniciativas positivas, os países precisam de um pacto social sobre a importância da educação, com engajamento de diversos atores, e isso requer metas comuns, liderança (política, administrativa e técnica) e mecanismos de participação social. O Brasil também foi destacado no relatório através de outras menções, como a iniciativa do Instituto Ayrton Senna para desenvolvimento de competências socioemocionais (vinculadas às habilidades de cada pessoa para lidar com as próprias emoções, se relacionar com os outros e atingir objetivos na vida).

De acordo com estudo apresentado durante o evento pelo economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper, Ricardo Paes de Barros, o desenvolvimento das competências socioemocionais tem um papel fundamental para a redução de desigualdades de oportunidades entre pessoas de diferentes níveis socioeconômicos e tem ainda um potencial para ressignificar a educação e oferecer continuidade ao processo de inclusão social no país, que depende do aumento de produtividade, entre outros aspectos.

A mesa-redonda organizada para discutir os diferentes aspectos trazidos pelo relatório contou também com a participação de Emília Cipriano, membro do Conselho Municipal de Educação, Cláudia Costin, membro da Comissão para a Educação de Qualidade para Todos, e Priscila Cruz, presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação.

Clique aqui e confira o relatório Construindo uma Educação de Qualidade – um pacto com o futuro da América Latina que pode ser baixado gratuitamente. 

CONTRIBUIÇÕES

Para o secretário-executivo da Fundação Santillana no Brasil, Luciano Monteiro, essa perspectiva torna ainda mais relevante a realização de publicações e eventos como o desta terça-feira (29). “Temos o compromisso de difundir e dar luz a esses dados, fazer uma transmissão para toda a sociedade a respeito das evidências que são relevantes para que todos compreendam melhor o que pode ser feito para melhorar a qualidade da educação”, disse.

O diretor-presidente da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Eduardo Queiroz, reforçou a relevância de que sejam construídos indicadores para analisar também a qualidade da educação infantil, que é a base de todo o desenvolvimento posterior, requer iniciativas intersetoriais e ações integradoras, mas, no entanto, não recebe o acompanhamento com a mesma atenção que outros ciclos dos sistemas de ensino.

Durante o evento, houve ainda contribuições da presidente da regional São Paulo da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), Marialba Carneiro, o Diretor institucional do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), Antônio Neto e do membro do Conselho Nacional de Educação Cesar Callegari, que divulgou uma iniciativa do CNE para a construção de um currículo integrado entre países da América Latina, com apoio da Unesco.

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