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Evento mostra práticas inovadoras na educação

05 de abril de 2017

Para desenvolver competências socioemocionais e inovar na educação, as escolas podem implementar um amplo conjunto de práticas simples, mas que devem ser bem estruturadas e planejadas. Alunos, professores e gestores de escolas compartilharam experiências e sugestões para essas práticas durante o Transformar 2017.

Organizado pelo Inspirare/Porvir, Fundação Lemann e Instituto Península, o evento reuniu centenas de educadores durante a manhã desta terça-feira (4) em São Paulo. Um dos palestrantes foi Willmann Costa, diretor do CECA (Colégio Estadual Chico Anysio), onde o Instituto Ayrton Senna desenvolve uma proposta de educação integral em parceria com a Secretaria de Educação do Rio de Janeiro.

De acordo com Willmann, são muitas práticas que acontecem no colégio para auxiliar o desenvolvimento socioemocional dos estudantes, e essas práticas podem ser realizadas em todos os momentos escolares, seja durante uma aula de matemática, um projeto de pesquisa ou um momento de estudo orientado. “Quando o aluno sente que há espaço para contribuir, que ele será ouvido, ele traz muitas ideias e insights que surpreendem todos nós! O mais importante é gerar um clima acolhedor, se aproximar do estudante e trabalhar as competências de forma intencional, em muitas intervenções conectadas a este objetivo comum”, afirmou.

O diretor contou como o CECA se estruturou para organizar o currículo escolar de forma a ensinar conteúdos e também desenvolver o socioemocional dos estudantes. “Toda a equipe passou por muitas ações de formação, os professores de cada área do conhecimento planejam as atividades em conjunto e o professor de qualquer disciplina pode auxiliar os estudantes nos momentos dedicados a projeto de vida, projetos de intervenção ou para elaborar estratégias para aprender”, contou.

Como resultado dessas e outras iniciativas que fazem parte do projeto desenvolvido no colégio, os estudantes praticam o protagonismo, se formam com autonomia e se envolvem mais com a escola, porque o ensino passa a ter mais sentido para sua vida. “Quando eu estudava, o clima era de medo do professor e do diretor, hoje minha motivação é fazer exatamente o oposto, porque o mundo mudou e é importante que as práticas educativas mudem também”, defendeu.

Durante o evento, outras escolas também compartilharam práticas voltadas intencionalmente para o desenvolvimento de competências socioemocionais. Helen Walsh e Rachel Carrasco contaram como implementaram em escolas de Seatle, nos Estados Unidos, a metodologia RULER (sigla em inglês para reconhecer, entender, identificar, expressar e gerenciar emoções) criada pela Universidade de Yale e que conta com quatro ferramentas para auxiliar os estudantes a conhecer e lidar com suas próprias emoções, praticar empatia, além de elaborar estratégias para seu desenvolvimento. Segundo elas, as emoções são importantes para atividades escolares como raciocínio, memorização e tomada de decisões e podem ser objetivo de ações educativas, e para isso é importante envolver os professores ativamente neste trabalho. As duas ressaltaram que RULER não é um currículo nem uma disciplina, mas um conjunto de práticas para uma abordagem mais conectada com o socioemocional.

Segundo os organizadores do evento, o principal objetivo do encontro é inspirar e orientar atores estratégicos para que criem escolas, práticas pedagógicas inovadoras e políticas públicas sintonizadas com a sociedade contemporânea – seja por meio das competências, da tecnologia, da sustentabilidade ou muitos outros caminhos.

Nesta edição do Transformar, os alunos também tiveram destaque e foram responsáveis pelo painel de abertura, discutindo pesquisas sobre a participação dos jovens na educação e compartilhando suas próprias inquietações sobre as escolas. O uso mais participativo de laboratórios de informática, de bibliotecas e da própria sala de aula por meio de projetos foram alguns dos pontos destacados pelos cinco estudantes, vindos de cidades e realidades escolares diversas. A valorização do professor, a criação de espaços de diálogo entre todos os atores envolvidos na escola e a ampliação do propósito da educação para uma formação ampla, de cidadania e para a vida, também estiveram nas falas dos jovens, que ainda criticaram a medida provisória do ensino médio por não ter dado espaço para participação dos estudantes.

Tags: Educação,

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