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Instituto participa de conferência internacional de tecnologia para crianças

13 de julho de 2017

Como forma inspiradora de trabalhar a tecnologia em escolas, o programa de Letramento em Programação que o Instituto Ayrton Senna desenvolve em parceria com redes públicas de ensino foi apresentado na conferência do IDC (Interaction Design and Children). O evento ocorreu entre 27 e 30 de junho, em Stanford, e reuniu cerca de 300 pessoas com trabalhos voltados para o uso de inovações na melhoria da vida crianças.

Criado para reunir uma comunidade internacional e interdisciplinar, o IDC discute as perspectivas e desafios de usar a tecnologia para possibilitar experiências de empoderamento e desenvolvimento de crianças. Pesquisadores, designers, educadores e ativistas de diversas formas de educação formal e informal compartilham o que estão desenvolvendo em tecnologia com objetivo de melhorar o bem-estar infantil.

“Foi uma ótima oportunidade de conhecer diferentes iniciativas inovadoras que utilizam recursos tecnológicos para promover engajamento e soluções para desafios em esferas como saúde, acessibilidade, entretenimento e muitos outros, além de conhecer trabalhos que têm buscado investigar mais a fundo a prática da programação por crianças”, contou o coordenador do programa, Adelmo Eloy, que apresentou o pôster sobre o trabalho desenvolvido pelo Instituto.

Segundo Adelmo, durante a apresentação em que contou como funciona a proposta do Instituto Ayrton Senna, uma comitiva de educadores da Tailândia se interessou pela experiência por conseguir aterrissar em escolas as tendências apresentadas no congresso, e houve uma troca de experiências com representantes de um projeto da Universidade da Califórnia (UCSB), que desenvolve uma iniciativa similar ao Letramento em Programação em escolas de se entorno.

Para promover a troca de ideias e experiências, a programação do evento incorporou apresentações, palestras, workshops e discussões temáticas, envolvendo aspectos como: a participação das crianças no desenho das inovações, os efeitos da tecnologia na vida delas, novos métodos e técnicas de interação entre usuários dos serviços, estudos empíricos, tendências futuras e novos argumentos teóricos sobre a temática.

A edição desse ano, em especial, teve como tema o aniversário de 50 anos do lançamento da linguagem de programação “Logo”, a primeira a ser desenvolvida com objetivos educacionais e cujo principal criador, Seymour Papert, inspira até hoje as iniciativas ao redor do mundo. Com o falecimento de Papert no ano passado, o setor se volta agora para a discussão do legado deixado por ele, suas ideias educacionais de criação de ambientes em que cada criança articula as engrenagens de suas próprias experiências de infância e se envolve em práticas que são formativas de aprendizagens ao longo da vida.

Segundo os organizadores do evento, é preciso revisitar as ideias de Papert com o olhar do século 21, em que todas as crianças interagem, dominam e se expressam com um amplo leque de tecnologias: a partir de novas oportunidades e novos desafios, como as visões teóricas podem dialogar com as diferentes pesquisas e esforços atuais? Quais inovações tecnológicas podem ser mais eficazes para realizar os princípios do autor, como a equidade global, a igualdade de gêneros, a importância de promover o pensamento computacional para a solução criativa de problemas?

“As discussões analisaram o passado, presente e futuro em torno da integração da computação ao cotidiano escolar, e também os principais motivos para se buscar essa integração. Foi possível notar um consenso na valorização de promover oportunidades de desenvolvimento de competências nos aprendizes, em detrimento de apenas uma formação técnica ou profissional”, analisou Adelmo. “Essa visão é o que temos buscado com o Letramento em Programação: promover a educação integral em alunos e educadores por meio da prática da programação de computadores.”

 

Letramento em Programação

O projeto de Letramento em Programação idealizado pelo Instituto Ayrton Senna ocorre em escolas públicas, com objetivo de dar oportunidade para os estudantes desenvolverem competências de resolução de problemas, criatividade, colaboração e comunicação. Além dessas competências, que contribuem para a educação integral de crianças e jovens, a proposta é preparar os estudantes para ir além do mero consumo desse tipo de produto pronto, e abrir caminho para que possam interagir com a tecnologia e criar suas próprias produções.

A programação passa por conceitos e práticas que usam a capacidade de processamento de dados de computadores para responder a comandos do programador e, assim, resolver problemas ou criar narrativas e interações. Aplicativos, jogos, mapas interativos e muitas outras produções podem ser desenvolvidas por programação.

Com ferramentas e atividades adequadas para a idade de alunos do Ensino Fundamental (do 4º ao 9º ano), o projeto oferece formações para educadores, ações de acompanhamento durante o período letivo, e atividades realizadas com apoio da equipe do Instituto. Desenvolvidas como componente curricular nos 4º e 5º anos, as atividades são extracurriculares a partir do 6º ano, com participação por escolha dos alunos que estudam nas escolas que aderem ao projeto.

Desde 2015, a proposta é implementada em parceria com a secretaria de Educação de Itatiba (SP), em conjunto com a USF (Universidade São Francisco); em 2017, ações em caráter de piloto foram expandidas para os municípios de Morungaba e Vinhedo. Além disso, um outro polo regional está sendo desenvolvido em parceria com a Faculdade Meridional (IMED), instituição de ensino superior que faz pesquisas na área, e as secretarias de Educação dos municípios de Carazinho, Coxilha, Lagoa Vermelha, Marau, Passo Fundo, Sananduva e Tapejara, todos no Rio Grande do Sul.

Tags: Educação,

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