Notícias

edulab21-2
Seminário aborda promoção da educação integral com base em evidências

19 de novembro de 2015

Promovido pelo Instituto Ayrton Senna, em parceria com Insper e Universidade de Ghent (Bélgica), evento discute caminhos para o desenvolvimento socioemocional

O que é educação de qualidade? O que é preciso oferecer às crianças e jovens para que tenham a oportunidade de se desenvolver plenamente? Os atuais indicadores educacionais dão conta de captar todos os aspectos da qualidade da educação? Com objetivo de contribuir com essa discussão, gestores e pesquisadores nacionais e internacionais se reuniram nesta terça-feira (17), em São Paulo, para o 1º Seminário eduLab21 – Desenvolvimento Integral com Base em Evidência, organizado pelo Instituto Ayrton Senna, em parceria com o Insper e a Universidade de Ghent (Bélgica).

Os participantes destacaram que, muito além da simples transmissão de conteúdo, a missão da educação sempre foi a de preparar os estudantes para a vida. Trazendo essa discussão para o contexto desafiador do século 21, enfatizaram a necessidade de apoiar os sistemas educativos a construírem e implementarem políticas públicas e práticas de ensino que deem conta de cumprir essa missão. Para isso, sublinharam a urgência de reunir dados e produzir mais conhecimentos para embasar a construção de políticas e práticas de educação que assegurem o pleno desenvolvimento do potencial das novas gerações.

“Uma pessoa pode nascer com grande potencial, mas se não receber da escola, família e comunidade as oportunidades e estímulos certos, ele não irá se concretizar. Uma grande tarefa da sociedade é promover todos os insumos para o potencial de cada um se realizar plenamente”, defendeu a presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna. “O papel da educação integral é ampliar as chances para isso. A nossa proposta de educação integral inclui desenvolver tanto as competências cognitivas quanto as socioemocionais.”

Compreendidas como habilidades individuais para se perseguir objetivos na vida, conviver com os outros e gerir emoções, as competências socioemocionais também vêm recebendo destaque nas declarações e acordos de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). No Brasil, marcos como o Plano Nacional de Educação (aprovado em 2014 com 20 metas para melhorar o ensino) reforçam a importância de compartilhar conhecimentos sobre a educação integral, que é mais do que o tempo integral.

“Uma das coisas que nós sabemos hoje é que o próprio componente cognitivo da educação fica comprometido se não houver essa formação socioemocional. Essas duas coisas têm que caminhar juntas, não adianta focar só no currículo de leitura, matemática, se a pessoa não adquirir hábitos que deem a ela condição de aprender bem e saber usar o que ela está aprendendo na sua vida pessoal e coletiva”, defendeu o keynote speaker do evento, Eduardo Giannetti.

A coordenadora do setor de Educação da Unesco Brasil, Maria Rebeca Otero Gomes, participou da mesa de abertura para refletir sobre o propósito da educação no atual contexto. “Enfocamos muito os conteúdos, mas a educação tem que formar o cidadão para toda a vida; esse é um conceito integral, que contempla dimensões comportamental, cognitiva e socioemocional”, disse.

Koji Miyamoto, especialista da OCDE, apresentou o novo relatório da organização sobre o tema (Competências para o Progresso Social: O poder das competências socioemocionais), cuja versão em português foi lançada durante o evento, em parceria do Instituto Ayrton Senna com a Fundação Santillana.

“Temos bons exemplos de iniciativas, mas precisamos ter mais conhecimento sintetizado sobre o que funciona em diversas iniciativas. A questão-chave que precisa ser enfrentada é fornecer apoio aos professores, informar quais as possíveis práticas para concretizar esse conceito de educação”, disse. “Enquanto nossa base de evidências for limitada, o tipo de estratégias pedagógicas que poderemos oferecer também será limitado.”

Assista ao Seminário na íntegra, clicando no vídeo abaixo.


eduLab21

Esse foi o primeiro Seminário dedicado ao compartilhamento das aprendizagens reunidas pelas equipes de projetos do eduLab21.  Lançado em maio de 2015, o eduLab21 é uma iniciativa do Instituto Ayrton Senna que reúne equipes multidisciplinares de pesquisadores para desenvolver projetos que enderecem alguns dos principais desafios da educação pública (saiba mais).

No Seminário, a equipe de Novas Ideias do eduLab21, composta pelos pesquisadores Filip de Fruyt (Universidade de Ghent), Oliver P. John (Universidade de Berkeley), Daniel dos Santos (Universidade de São Paulo) e Ricardo Primi (Universidade São Francisco), compartilhou as aprendizagens reunidas sobre quais aspectos devem ser considerados na avaliação e monitoramento de competências socioemocionais em contexto escolar.

“As socioemocionais podem ser medidas, mas ainda existe muito debate para elencar quais são as mais importantes. Nós revisamos pesquisas, entrevistamos diretores, coordenadores e professores e contamos com participação de alunos. Distinguimos 18 aspectos que podem ser observados no contexto escolar. Não significa que a escola precisa desenvolver todas ao mesmo tempo, são como blocos fundamentais, que é importante serem reconhecidos para que cada escola ou rede identifique quais são os mais relevantes para seu trabalho”, explicou Oliver.

Na sequência das apresentações, o economista-chefe e um dos diretores do Instituto Ayrton Senna, Ricardo Paes de Barros, fez um balanço das aprendizagens da frente de Aplicação em Políticas Públicas do eduLab21, que atua através do Núcleo Ciência para a Educação (parceria entre o Instituto e o Insper). O objetivo da frente é sistematizar as evidências disponíveis sobre o impacto das competências socioemocionais e a iniciativas existentes para promovê-las.

“A educação socioemocional é constitutiva da educação, não é um componente, porque sem ela não estamos falando de educação. Mas esse direito parece ter ficado mais no papel, ou aparece quase como supérfluo; estamos tratando algo que é central e constitutivo como algo periférico e marginal”, afirmou. Apesar disso, há programas no Brasil que são voltados para esse desenvolvimento. Paes de Barros afirmou que de 200 iniciativas localizadas, a equipe irá estudar detalhadamente 30 com potencial de impacto positivo.

 

Ver todas as notícias

Cadastre-se e receba notícias e novidades do Instituto Ayrton Senna