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“Precisamos de ambientes favoráveis para que as habilidades socioemocionais se desenvolvam”

11 de julho de 2017

Mais do que dar aulas sobre habilidades socioemocionais para que crianças e jovens aprendam a ter determinação, persistência e autoconfiança, as escolas e as famílias devem se preocupar em oferecer ambientes com clima favorável para que eles possam desenvolver essas e outras competências por si próprios. É o que defende o jornalista e escritor canadense Paul Tough em seu novo livro Como ajudar as crianças a aprenderem, lançado no Brasil na última semana pela editora Intrínseca. A publicação traz, em linguagem simples e objetiva, os resultados positivos de pesquisas internacionais que analisaram como práticas que levam em conta essas habilidades têm beneficiado estudantes de diferentes faixas etárias, contribuindo para sua aprendizagem (clique aqui para ler um capítulo).

Em palestra no Rio de Janeiro no último sábado (1º), durante o lançamento do programa LIV, do Grupo Eleva Educação, Paul afirmou que os principais resultados coletados em sua pesquisa para o livro são aqueles que mostram o impacto negativo das adversidades para o desenvolvimento cerebral das crianças – e como os danos causados por situações de extrema vulnerabilidade e estresse tóxico podem ser revertidos através do trabalho intencional com habilidades socioemocionais.

A partir das evidências coletadas para a publicação, ele defendeu que em vez de tentar elaborar um jeito de dar aulas para que uma pessoa possa ser determinada e centrada, por exemplo, é preciso promover atitudes que visam melhorar os ambientes – tanto na escola como em casa – em que as crianças estão inseridas. Assim, as atitudes e as habilidades necessárias para se ter um futuro melhor poderão se desenvolver desde o início da vida.

Como ajudar as crianças a aprenderem conta ainda com texto de introdução de Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, que também assinou o prefácio do livro Como as crianças aprendem*, best seller lançado em 2014 que ficou 12 semanas na lista dos mais vendidos do New York e primeiro do autor a abordar o tema. “Garantir ambientes que favoreçam o desenvolvimento dessas habilidades e ofereçam melhores caminhos para que nossas crianças e jovens floresçam na vida é o principal papel da educação neste século. Para isso, contudo, não podemos oferecer qualquer educação. Precisamos de uma educação feita para todos e, ao mesmo tempo, adequada a cada estudante e a cada realidade, que acredita e investe no ser humano por inteiro”, afirma Viviane.

Segundo o escritor, tanto seu livro anterior quanto o novo mostram o quanto o debate sobre as habilidades socioemocionais se tornou mais relevante nos últimos anos. “As pesquisas já são capazes de mostrar com bastante confiança o impacto positivo desse trabalho para o desenvolvimento das crianças”, afirmou durante sua palestra.

 “A educação é fundamentalmente socioemocional”

Os argumentos de Paul reforçaram as evidências apresentadas pelo economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor do Insper Ricardo Paes de Barros em palestra durante o evento. Em sua fala, ele expôs como os compromissos mundiais e as políticas educacionais de diferentes países estão caminhando na direção de desenvolver o estudante integralmente, sem deixar de valorizar o desenvolvimento cognitivo (diretamente ligado ao ensino de habilidades como leitura e raciocínio matemático, por exemplo), mas também atentando para outras competências que podem – e devem – ser consideradas na educação.

“A educação é fundamentalmente socioemocional. As habilidades socioemocionais sempre foram um tema presente nas escolas, mas que não era trabalhado de maneira intencional”, explicou o especialista. “Hoje sabemos que ter perseverança para buscar o que se deseja, flexibilidade e abertura para encontrar os caminhos até nossos objetivos e autoconfiança para chegar lá são habilidades essenciais para a vida e que podemos ajudar crianças e jovens a desenvolverem”, defendeu o especialista.

Paes de Barros também destacou que o trabalho com as habilidades socioemocionais se torna mais necessário e urgente quando se trata de crianças em maior risco de vulnerabilidade social. “O aluno que tem espaço para buscar seus objetivos, que consegue driblar sua situação socioeconômica e que é motivado a não desistir tem mais chances de melhorar de vida. E ele também é o mais prejudicado quando isso não acontece”.

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Ricardo Paes de Barros, Economista Chefe do Instituto Ayrton Senna e professor no Insper, durante palestra no Rio de Janeiro.

*A primeira edição do livro Como as crianças aprendem foi publicada no Brasil em 2014 com o título Uma questão de caráter (How Children Succeed, título original)

Tags: Educação,

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